segunda-feira, 28 de junho de 2010

o quase tarde.


o coração dela já palpita com os pensamentos positivos, eu sempre disse a ela: admiro muito o seu otimismo. ela nem ligava, achava que eu estava zombando dela e não era nada disso, não mesmo, ela entende, mas tenta me enganar. dizer que não, que as coisas não são assim. agora descobrimos juntas a forma de mudar essa história. ela sempre falando das borboletas que encontra, quando acorda, quando vai dormir, quando vai comer, quando o telefone toca, é uma loucura só, já pedi para ela ter calma, tanto ela, quando eu sabemos que tudo se resolve com o tempo, que o tempo é o amigo das horas, tudo bem que existe a tal impaciência, algo que ela não entende é que tem que ter calma, que quando menos esperar vai aparecer, vai acontecer. aquilo de quase tarde.

ao som de:
California Dreamin'
The Mamas and the Papas

Composição: John Phillips / Michelle Phillips

sábado, 26 de junho de 2010

devaneio IV

aqui dentro tudo rasga, é forte, é quente, eu vejo uma imagem sua refletida a mim, não. não. não. você sabe, eu sei que sabe, eu sei que sente também, sente que está jorrando o que há de bom aqui o bom que você não quer pegar. mas não, eu não vou dizer que quando você quiser sentir será tarde, não vou, não vou porque eu sinto algo me dizendo que você quer, que você me quer, mas muitas coisas dentro de você diz para não querer e tudo por causa do desconhecido, aquela imagem, aquele caráter. sinto algo mais, sinto que está próximo, sinto o seu cheiro, sinto você se aproximando, me pegando na cintura, me mordendo, beijando minha nuca... e... e...

sexta-feira, 25 de junho de 2010

não entenda, apenas sinta.
o que sentir, guarde pra ti.
não jogue fora, não esqueça.
lembre-se diariamente.
você vai lembrar.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

devaneio III


Venho me impressionando com ele, eu já não sinto mais medo, não como antes, eu até converso agora, mesmo não querendo falar, ao mesmo tempo eu quero alguém para conversar, sabe, as vezes eu me acho sozinha e ele percebe e fica falando no meu ouvido, mas ele fala sem parar e, muitas vezes, sou grossa, não quero ouvir ninguém, mas quero conversar, depois disso ele começa com a estupidez de antes e vem, novamente, o medo, aquele medo antigo dentro de mim, eu sei que ele não pode fazer nada contra mim, eu pelo menos penso que não pode.
Hoje ele me disse o seu nome, Rui, brinquei falando umas coisas engraçadas e consegui falar outras coisas, mas ele não gosta das minhas piadas, eu não sei porque que ele ainda insiste em falar comigo, eu não faço questão porque a gente não se dá bem, nós já percebemos essa parte, ele só informa: eu não vou sair daqui, você me descobriu, agora descubra a forma de eu ir embora.

terça-feira, 8 de junho de 2010

convivendo com o desconhecido

É tudo aquilo que está preso dentro do peito, o que eu não posso tirar, ainda não posso, mas o que pode acontecer se ele permanecer, às vezes eu vejo e a gente conversa, ou eu mesma converso com ele, ou só ele fala pra eu ouvir, ele não quer sair, ouço sempre isso:
- Eu não vou, me aguenta, agora que me descobriu aqui, eu estava na minha, eu não entendo vocês, porque mexer no que está quieto, você veio me procurar, seria melhor pra você se estivesse ficado onde estava, seguindo a sua vida cheia de estupidez, não adianta chorar, você sabe do que eu to falando.
- Tudo bem. - eu respondo atônita e cheia de dúvidas, cheia de ironias, cheia de mágoas.
Será que um dia esse monstro que eu vejo vai sair daqui de dentro? Será que um dia eu vou conseguir me olhar no espelho e não vê-lo, será que uma noite qualquer eu vou conseguir não ouvir a sua voz? Pelo menos a voz.
- E o que você vai fazer com as dúvidas, as mágoas, os pesadelos, os apelos?
- Isso tudo vai passar quando você resolver ir.
- Mas eu não vou.
- Me faça um favor enquanto estiver por aqui, então?
- Qual?
- Não fale mais comigo.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

devaneio II

Por um determinado momento da vida de um ser humano, pode ser dizer, de uma forma estranha, uma coisa que não se dá para explicar e que fica sem nexo, da forma desse texto. O que não é para entender, o que não é para sentir e que, na verdade, não é nem para ser lido.
Agora eu sinto nojo, asco, uma péssima sensação, parece que ela tá em mim, toda parte do meu corpo sente a presença dela, tudo culpa dela. Dela. A barata.