terça-feira, 8 de junho de 2010

convivendo com o desconhecido

É tudo aquilo que está preso dentro do peito, o que eu não posso tirar, ainda não posso, mas o que pode acontecer se ele permanecer, às vezes eu vejo e a gente conversa, ou eu mesma converso com ele, ou só ele fala pra eu ouvir, ele não quer sair, ouço sempre isso:
- Eu não vou, me aguenta, agora que me descobriu aqui, eu estava na minha, eu não entendo vocês, porque mexer no que está quieto, você veio me procurar, seria melhor pra você se estivesse ficado onde estava, seguindo a sua vida cheia de estupidez, não adianta chorar, você sabe do que eu to falando.
- Tudo bem. - eu respondo atônita e cheia de dúvidas, cheia de ironias, cheia de mágoas.
Será que um dia esse monstro que eu vejo vai sair daqui de dentro? Será que um dia eu vou conseguir me olhar no espelho e não vê-lo, será que uma noite qualquer eu vou conseguir não ouvir a sua voz? Pelo menos a voz.
- E o que você vai fazer com as dúvidas, as mágoas, os pesadelos, os apelos?
- Isso tudo vai passar quando você resolver ir.
- Mas eu não vou.
- Me faça um favor enquanto estiver por aqui, então?
- Qual?
- Não fale mais comigo.

3 comentários:

Júnior de Paiva / Dish disse...

Existem coisas que afligem nossa alma como mil flechas jogadas ao vento, apenas para acertar alguém!
:/
Belo texto, parece que teu coração grita e ao mesmo tempo consola ele mesmo!
Acertei?

flor disse...

É, Junior, acho que você me conhece he.
Obriagda pelas palavras.

aline Lãca disse...

lindo texto...lindas mãos...

flor, o difícil é aceitar que nosso PIOR inimigo mora aqui dentro da gente.